terça-feira, outubro 31, 2006

Tecnologia x Emprego

Em 1989, diagramar o Diário Oficial do Município de Campinas mobilizava uma equipe de mais de dez funcionários.
Desprezando-se a produção do conteúdo (que é de responsabilidade do Poder Público - Prefeitura e Câmara Municipal), o trabalho de "pré impressão" demandava um motoboy que transportava os disquetes da Prefeitura até a Gráfica de da Im@ - Informática de Municípios Associados, empresa de capital misto onde a diagramação e a impressão são feitas até hoje.
Já na gráfica o trabalho passava pelas mãos de seis ou sete profissionais com formações práticas específicas, da diagramação e impressão da tira de texto à impressão dos filmes (matriz), passando pelo "past-up", a colagem (colados com cola mesmo) dos textos na página da arte-final. Havia ainda um cargo chamado Revisor que conferia atentamente as artes montadas antes de enviá-las para o fotolito, etapa que encerra a pré-impressão e onde se inicia a impressão.
No final do século passado chegaram aos computadores os softwares de diagramação - Desktop Publishing. Entre eles os mais usados são o PageMaker, desenvolvido pela empresa Aldus e adquirido pela gigante Adobe, e seu sucessor InDesign.
Ao mesmo tempo a internet foi se desenvolvendo, as conexões foram se tornando cada vez mais rápidas e confiáveis.
O resultado desse avanço tecnológico: Hoje para se fazer a diagramação do Diário Oficial do Município de Campinas são necessários dois trabalhadores trabalhando em sistema de turnos. Sua função é menos a de diagramar do que de gerenciar e monitorar a entrada de matérias no sistema . Não fosse a necessidade de se atender a Prefeitura durante o dia inteiro, um só diagramador "daria conta" do trabalho.
Em abril um software específico para esse gerencaimento foi desenvolvido: o Wood Wing. Aos diagramadores restou se alinhar aos revisores, arte-finalistas e contínuos na busca pelas novas oportunidades geradas pela informatização.
O que fazer?
No século passado, artesãos quebraram máquinas durante a chamada Revolução Industrial. Hoje essa atitude seria considerada absurda.
Hoje acredita-se que a gestão desses processos e mesmo das máquina cria uma nova vaga. É o caso da Denise Bagnarelli, Supervisora do suporte da Im@, que acha que para cada porta que se fecha, há outra que se abre "sempre vai ser preciso alguém para dizer ao computador o que fazer". Para ela a solução é a busca contínua pela qualificação: "Quando há empregabilidade a informatização não é um problema, as pessoas vão ser sempre necessárias em atividades que surgem dessa informatização".
A mesma empresa de tecnologia da informação desenvolveu, a pedido da Prefeitura Municipal, um sistema informatizado que controla a alimentação nas Escolas Municipais - o GALES. O desenvolvimento desse aplicativo e sua manutenção fez com que fossem contratados quatro novos trabalhadores, que se juntaram aos cento e quarenta funcionários que atendem a Prefeitura na área de informática.
Renata Marques Rego, Gerente de Recursos Humanos da Im@, aponta a gestão dos processos automatizados como nicho para o recurso humano. As atividades que a informática passa a fazer precisarão de um comando que nunca deixará de ser humano.
Ambas concordam que a qualificação é cada vez mais necessária nesta nova colocação e os profissionais mais qualificados têm menos dificuldade em se adaptar às novas posições.

1 Comments:

At 12:00 PM, Anonymous PH said...

Parabéns, Renato, pela publicação. Mas faltou a sua assinatura. Abs.

 

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