Segunda-feira, Novembro 06, 2006

Empregos

Sobram vagas de emprego
no setor tecnológico

A busca por mão-de-obra qualificada é o grande desafio nessa área


O setor tecnológico no Brasil emprega atualmente entre 180 e 200 mil pessoas, um número reduzido perto de outros setores, como por exemplo, o setor têxtil, que emprega 1,6 milhão de pessoas. Porém, a tecnologia da informação (TI) é o setor que apresenta maior perspectiva de crescimento. Mesmo com esse crescimento em evidência, empresas do setor não têm facilidade em contratar mão-de-obra especializada.

Diretores de empresas de tecnologia reclamam que muitos jovens chegam ao mercado de trabalho despreparados. É o caso de Alexandre Picchi Neves, diretor da Kaizen Consultoria e Serviços, com sede em Indaiatuba. A empresa foi eleita esse ano pela Revista Exame “a melhor empresa brasileira de TI para trabalhar”. Com cerca de 110 funcionários, Neves espera admitir até o fim do ano pelo menos mais 40 funcionários, mas diz sentir dificuldades em encontrar candidatos que se enquadrem no perfil desejado. “A região de Campinas não deve nada à São Paulo no que se refere à mão-de-obra de tecnologia, porém ainda sentimos dificuldades em encontrar gente preparada para entrar no mercado”, diz.
O crescimento do setor tecnológico só não é maior por causa dos problemas com mão de obra especializada. Percebendo isso, o governo federal anunciou para breve, a inauguração do programa “Formação de Capital Humano em Software”, através do Ministério da Ciência e Tecnologia. Tal programa visa dar maior capacitação aos jovens profissionais da área, para que cheguem ao mercado de trabalho respondendo às expectativas do setor. Eratóstenes Ramalho de Araújo, coordenador de capacitação da Softex, órgão que promove o software brasileiro e um dos colaboradores na elaboração do projeto afirma que “o Brasil é reconhecido por sua excelência e criatividade em soluções”.


Parcerias

Exatamente através da criatividade que as empresas estão tentando driblar essa falta de mão de obra de várias maneiras. Várias delas firmam parcerias com instituições de ensino com o objetivo de capacitar melhor os universitários, preparando-os para entrar no mercado de trabalho. É o que faz a Kaizen, que concretizou uma parceria com a FIEC - Fundação Indaiatuba de Educação e Cultura - onde a empresa utiliza a estrutura da instituição para dar cursos para jovens estudantes da região previamente inscritos e selecionados. O curso é ministrado por funcionários da própria Kaizen e tem como objetivo capacitar os alunos para que ingressem futuramente na empresa. “Não é garantido que sejam contratados, mas claro, há grande possibilidade que aconteça”, diz Neves. E completa: “Apesar de ser um investimento adicional feito pela empresa, é um meio de a gente estar contratando uma mão-de-obra mais especializada e de acordo com a nossa necessidade”.

Investimento em educação


Outro país emergente, a Índia já desponta como um dos países que mais investem e recebem investimentos no mercado de tecnologia da informação. Em artigo publicado no jornal Correio Braziliense, Luiz Meisler, Vice-presidente sênior da Oracle para América Latina, esclarece que o mercado de tecnologia da Índia é menor que o nosso.

Em contrapartida, segundo Meisler, o país asiático exporta US$10 bilhões, enquanto o Brasil apenas US$300 milhões. Ele conclui que a diferença está na capacitação dos profissionais da área. “A Índia conta com profissionais especializados em tecnologia da informação, uma base que se expande anualmente com mais 400 mil. Enquanto isso, o Brasil pena com um déficit na formação de mão-de-obra qualificada, restrita a 50 mil novos integrantes anuais”. Os indianos possuem também a vantagem da língua inglesa, nativa para muitos deles e que tem papel fundamental no mercado tecnológico. Já o Brasil não demonstra interesse em tornar a sua população bilíngüe como, por exemplo, o Chile vem fazendo.

Com o potencial que o Brasil vem mostrando, deveria haver mais investimento no setor de tecnologia da informação. O retorno dessa área para a economia de um país é um fator incontestável. O país deveria dar mais atenção a essa área. Não teria nada a perder.

Por Luiz Fernando Cavalari

2 Comments:

At 10:02 AM, Anonymous Paulo Henrique said...

Oi Luiz. Otima matéria, boas fontes. Só faltou sua assinatura, para ficar completa a reportagem, ok?

 
At 5:17 PM, Anonymous Gabi said...

Luuuu... muito massa sua matéria!!! Completa demais hein?? hummmm

 

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